sábado, 15 de março de 2014

histórias de verão...



ainda chamas pelo verão,
pelas manhãs de nevoeiro,
pelo amor nas dunas?
tudo era silêncio...
para quê falar 
se os corpos se entendiam
e sorriam à paixão?

mais abaixo, o mar,
o sereno enrolar na areia,
e nesse embalar,
cada olhar, cada beijo,
era mais uma estreia
para espicaçar o desejo...

tão leve teu corpo
baloiçando ao sabor da brisa,
teus cabelos esvoaçando,
e teus peitos sussurrando
pelos lábios meus...
tão bom adormecer nos braços teus...


manhã de março



manhã de Março, primavera em flor...
ouve, cantam as rolas, os melros,
tudo ganhou vida, tanta cor...
até o mar docemente morre na areia
e nos convida a entrar, qual canto de sereia...
manhã de Março... convite ao amor...



sexta-feira, 14 de março de 2014

na despedida...



estranha a forma de partir,
sem um adeus, ou até já...
como se não houvera despedida,
mas tão só uma fugida
como quem faz um recado...

sorriem os namorados
e num longo beijo apaixonado,
partem um para cada lado,
mas levam os sonhos
nos lábios ainda molhados...

se um dia partires no vento,
não acenes, nem olhes para trás.
talvez já não vejas ninguém,
nem a sombra da imagem...
tudo se transformou em miragem...


quarta-feira, 12 de março de 2014

brilham meu olhos...



brilham meu olhos pelos olhos teus
em cada manhã, em cada fim de tarde,
em cada sonho, mesmo que acordado...
ao ver o brilho dos teus olhos nos meus,
oh amor, impossível não ser verdade
cada frase, cada gesto apaixonado.

riem meus olhos, meus lábios sagrados,
minha nudez, ansiando a tua...
repara, também se despiu a lua
vagueando por entre os namorados.
oh, como se masturba e geme.
triste, só, a lua é como um barco sem leme...


terça-feira, 11 de março de 2014

nasceu o sol, meu amor...



nasceu o sol, meu amor,
e como é lindo o amanhecer,
como se o dia , em forma de flor,
perfumasse o nosso querer
qual bouquet em nosso regaço...

extasiados, solta-se teu abraço
num aperto que prende a alma,
e dá razão aos sentidos...
soltam-se de paixão os beijos
em espaços para tantos proibidos.

que importa a gente que passa...
nasceu o sol, meu amor,
cantam as aves em redor,
solta-se a música com tanta graça
que até esquecemos de fazer amor...



segunda-feira, 10 de março de 2014

como um rio...



como um rio
que em desafio
segue entre margens,
como um barco
remo a remo
contra a corrente,
teimosamente
lanço amarras
onde nada me prende...

ao longe,
uma estrela cadente
e mais mil a brilhar
num céu infinito e presente...

num olhar sereno,
ausculto a alma
e não vislumbro paz...
nada a satisfaz...
tanto luto..tanto enredo...



sexta-feira, 7 de março de 2014

dia de sol...



fez sol, muito sol na minha rua,
mas não vi crianças brincando
nem pessoas de passo apressado...
apesar do sol na minha rua,
já ninguém mora aqui,
ou se moram, talvez nem gostem do sol
e preferem ver à noite a lua...
mas as crianças, a correria das crianças,
trazem-me à memória lembranças
do menino que na rua corria,
e era feliz à noite... quando adormecia...


terça-feira, 4 de março de 2014

pausa...



porque o momento o exige....

segunda-feira, 3 de março de 2014

as flores...



eram lindas as flores em meu regaço,
perfumadas, únicas como tu.
mas demoraste, nem sei se chegaste,
e as flores murcharam...
feridas de morte, em meus braços secaram...



domingo, 2 de março de 2014

malmequer.. bem-me-quer...



com a destreza do artesão,
com a sensibilidade do coração,
fiz uma flor, não uma qualquer,
mas um alegre malmequer
para usares dentro do peito...

se gostares, se for a teu jeito,
adiciona-lhe gotas de perfume
para aliviar as palavras de azedume
ditas num momento sem tempo...
tu sabes... o vazio é um tormento...

malmequer, bem-me-quer, malmequer...
que importa, se longo e intenso é o prazer...




BOM DOMINGO...




gota por gota, ainda no leito, ouve-se o cair da chuva
lentamente, como se não houvera pressa,
pressa de desistir dos dias tristes e cinzentos...
através da vidraça, reparo no jardim,
na rua deserta onde ninguém passa...
como são tristes os Domingos sem tua luz, tua graça...